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YELLOW-STRIPE (YS) - És um dos artistas mais antigos da cena obscura e pesada do Drum & Bass, podes dizer-nos como começaste?

THE PANACEA (PAN) - Sim já ando por aí há algum tempo, é verdade. O meu primeiro LP foi lançado em 96. Pouco depois de terminar os meus estudos lancei o meu primeiro album pela chrome (a position chrome era chamada de chrome quando comecei a trabalhar para a editora, mudamos o nome em 98). Já produzia desde 91, mas demorei 5 anos a chegar ao ponto onde pensei que podia lançar um album, em que pensava que a minha música era boa o suficiente para ser apresentado a um público maior. Desde então, tenho estado a trabalhar no negócio da música a tempo inteiro.
Tenho de dizer que acredito que tive um começo fácil simplesmente porque na altura ninguém estava a fazer o que eu estava. Vim dum país (Alemanha) que na altura não tinha produzido um artista do DNB com um perfil internacional. O meu som era totalmente novo e 100% mais pesado que qualquer coisa que tinha sido lançado no Reino Unido. A imprensa gostou de mim por causa do meu passado musical (menino do coro, cantor formado na área clássica) e a minha editora (a force inc., a editora "mãe" da position chrome na altura) deu-me uma plataforma e infra-estrutura internacional.
Também, mesmo nessa altura precoce na minha carreira, dei uma cara à minha música e não era um produtor desconhecido qualquer.
Tudo isso combinado ajudou-me muito no início e durante os anos, mas também tornou-me mais vulnerável a críticas e invejas.

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YS – Alguns já disseram que o Drum & Bass está a passar por uma fase extremamente criativa, com artistas de todo o espectro a experimentar com novos sons e vibrações e a fazerem-se ouvir. Que pensas do estado actual do D&B e para onde caminha, segundo a tua opinião?

PAN - Sim penso que isso está correcto. As pessoas estão cansadas do wobble e querem seguir em frente. Penso que o chamado dnb minimal é um novo sub-género muito promissor. Sinto-o na minha própria música, gosto duma produção menos "cheia" estes dias com grandes reverbs e centrando-se em alguns sons bons, em vez de 40 faixas diferentes na mesma música. Mas depois parece que tudo é possível. Gosto que os meus sets sejam variados e toco vários estilos e a velocidades diferentes........por isso qualquer coisa vale desde que seja bom!

YSQual é o conselho mais valioso que podias dar a um artista aspirante?

PAN - Sê tu mesmo, não prestes atenção quando as pessoas dizem que deves ser mais assim ou assado, não tentes imitar, inova!

YS -  De momento que talentos recentes parecem os mais promissores para ti?

PAN - Agora penso que os Dub Elements têm me impressionado com muitas das músicas recentes, parecem ficar melhores e melhores com cada música que fazem.

YS – Sabemos que estás a trabalhar num novo album, podes dizer-nos o que esperar e que mais tens planeado para a Position Chrome em 2010?

PAN - Penso que com o album estou realmente a tentar resumir os últimos anos a nível musical para mim. Há um pouco de tudo nele e não apenas simples músicas de dancefloor, mas também músicas que podes desfrutar em casa. Tenho estado a colaborar com artistas que me inspiram com os seus trabalhos como o Limewax, o Lethal e o Donny e tive o Cooh e o Dean Rodell a fazerem remixes de músicas de Panacea mais antigas. No geral será uma encomenda em grande. Pusemos muito trabalho no design da capa também e iria mais longe ao dizer que ninguém no negócio do DnB fez algo parecido com isto até agora. Fui a um estúdio de fotografia profissional em Munique onde um grupo de pessoas trabalhou para mim durante um dia inteiro. As fotos foram tiradas com uma máquina fotográfica Hasselbad inovadora e cada foto tem 150 mb em tamanho....podes imaginar a resolução. Estou extremamente satisfeito com o resultado, mas não posso mesmo dizer mais....irás ver!

Além do mais, lançamos agora o nosso primeiro lançamento de 12" de Audio, que é obviamente um grande som e temos mais programado com Cooh, The Sect, Lethal e Counterstrike! 2010 deverá ser um bom ano para a Position Chrome.

YS – Qual é o teu TOP 5 de músicas de sempre?

PAN - 1. the klf - what time is love
2. messiah - there is no law
3. sunnO))) - it took the night to believe
4. underground resistance - sonic destroyer
5. front 242 - rhythm of time

YS – E o teu TOP 5 do momento?

PAN - 1. counterstrike and the panacea - the minotaur
2. dub elements - bass 2 the tope
3. current value - black box
4. florence and the machine - you got the love (jamie xx rework)
5. chris liebing and tommy four seven - bauhaus (sledge mix)

YS – Onde gostaste mais de tocar?

PAN - É impossível dizer, mas um dos pontos altos dos últimos anos foi tocar na Cidade do México pela primeira vez, a rave foi numa igreja!

YS- Esta passagem de ano foi a primeira que tocaste em Portugal e foi um dos poucos eventos em que fizeste um live act. Em que consiste o teu live act e que queres transmitir com ele?

PAN - Estou a tocar ao vivo de um sistema de gravação roland 1624, onde as músicas que toco durante a noite estão divididas em stems individuais que posso pôr em mute e alterar até um certo ponto. Também estou a utilizar uma ferramenta alesis air fx e o meu antigo yamaha su 10 minisampler para fx adicional. No geral, uma configuração bastante simples, mas em que muito ainda pode correr mal. Na passagem de ano tive de redireccionar os meus canais de saída, porque os que eu tinha activado originalmente simplesmente não funcionavam. Obviamente quando voltei ao hotel funcionaram.....coisas estranhas como estas estão sempre a acontecer. No entanto, estou a apresentar às pessoas uma mistura única do meu trabalho e na passagem de ano no Porto especialmente toquei muito material do novo album, por isso as pessoas tiveram uma amostra bastante decente lá.

"Daniela Ferreira" - O que te inspira a escrever música?

PAN - Fico muito inspirado com a vida urbana no geral, um metrópole cheia de actividade parece tornar-me sempre muito criativo. Adoro artistas como anish kapoor, matthew barney, takashi murakami e anselm kiefer, mas também designers de moda como rick owens e gareth pugh inspiram-me com o seu trabalho!

"Mikey Porto" - O que realmente te excita na música como espectador ou ouvinte?"

PAN - É muito difícil de descrever, diria um certo sentimento.....mas não sei se o conseguiria descrever muito bem, algo entre excitação, apreciação pelo novo e energia. Sei que isso soa um bocado abstrato, mas como disse é muito difícil de descrevê-lo para mim, como podes ver interesso-me por todos os tipos de diferentes estilos, adoro drone metal tanto como opera ou dnb. Fui sempre assim e sempre fui muito interessado em estilos de música que são fora do normal. Logo, tenho muito pouco interesse em música pop, por exemplo, onde tudo parece ser demasiado racionalizado estes dias.

 

"Renato Moreira" - Vês o The Panacea como um artista mainstream?

PAN - Considero isso uma pergunta bastante interessante sobre a qual tenho pensado muito para mim mesmo. Penso que podes dizer que sou mais mainstream que outros, simplesmente porque me tornei bastante conhecido pelo que faço ao longo dos anos, mas também conforme mencionei anteriormente sou um indivíduo facilmente reconhecido e nunca me escondo atrás da cabine de dj, mas ponho um espectáculo visual da minha música. Penso que todas essas coisas são cenas que um artista mainstream faria, mas ainda produzo as minhas músicas com integridade e totalmente sem intenções comerciais. Por isso penso que sou algo no meio, utilizando mecanismos de pop para apresentar um produto totalmente anti-pop!

 

"Pedro Martins" - Porque não tens mais vídeoclips?

PAN - Simplesmente, porque sou um perfeccionista insano e após filmar "The Evil Seed" penso que seria difícil encontrar alguém que queira trabalhar comigo. Posso te dizer que o processo de terminar o vídeo foi dolorosamente demorado......e arruinou a minha amizade com o director. Quando tenho uma visão clara do que quero fazer faço tudo para vê-lo terminado ponto por ponto o que tenho em mente.

 

YS - Desejas deixar uma mensagem ao público português?

PAN - Gostaria de agradecê-los pelo seu apoio contínuo ao longo dos anos. Sempre que fui convidado diverti-me imenso com eles e continuarei a dar o meu melhor nas festas. Emocionei-me quando toquei numa festa em Portugal nos meus anos e o público começou a cantar os parabéns....um momento verdadeiramente inesquecível. Obrigado a todos novamente!


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